Gerhard Arnauer Henrik Hansen
(1841 - 1912)
Médico e botânico norueguês nascido em Bergen, famoso como o descobridor do bacilo da lepra e de que a doença, um dos mais antigos males da humanidade (sinais de sua existência foram encontrados em esqueletos do século II a. C., encontrados no Egito), resultava de uma infecção crônica causada por uma bactéria, a Mycobacterium leprae (1874). Oitavo de uma família de 15 irmãos filhos de Elizabeth Concordia Schram e de Claus Hansen, um comerciante por atacado que por dificuldades financeiras deixou os negócios (1851) e passou a trabalhar como caixa em um banco. Durante os estudos no ginásio tomou gosto pela medicina e começou seus estudos médicos na Universidade de Christiania, hoje Oslo. Ainda estudante, dava aulas particulares para sua sobrevivência e depois passou um ano como substituto para o prosector em anatomia. Diplomou-se com honras (1866), quando já demonstrava um talento excepcional para a pesquisa. Completou sua residência no Rikshospitalet, o Hospital Nacional em Christiania e serviu como médico a uma comunidade de pesca de uns 6.000 habitantes, em Lofoten, um grupo de Ilhas ao norte da Noruega. Voltou à cidade nativa Bergen (1868), onde existia um centro para pesquisa de lepra. Naquela época a doença ainda era um problema social na Noruega, com cerca 3000 pacientes com 800 leitos hospitalares reservados. Só em Bergen eram três hospitais exclusivos. Lá ele iniciou suas pesquisas que o conduziram a espetacular descoberta. Aposentado em Bergen, morreu em Florø, na Noruega. Como a palavra lepra, que significa escamoso em grego, designava, na antiguidade, doenças que hoje são conhecidas por psoriase, eczema e outras dermatoses, além de em traduções da Bíblia, ser empregada para doenças que diferentes da hanseníase, com o tempo ficou associada a idéias de impureza, vício, podridão, nojeira, corrupção e repugnância etc, e tornou-se uma expressão pejorativa. Assim, em homenagem ao descobridor do micróbio causador da infecção, a moléstia tem o nome hanseníase, inclusive no Brasil o termo foi oficialmente adotado (1976) e tornou-se lei com o nº. 9010 - DO (30/3/1995). É uma doença endêmica que ocorre em todos os continentes, em vários países da África, Ásia, Caribe e América Latina. A OMS calcula aproximadamente 12 milhões de doentes em todo o mundo. A maior incidência de Hanseníase no Mundo encontra-se na Índia com cerca de meio milhão de pacientes diagnosticados na virada do século XX/XX1. No Brasil, a mesma época contabilizava-se cerca de 80 mil atacados pelo mal, colocando inditosamente o país em segundo lugar. O tratamento no Brasil é completamente gratuito e suficiente para todos os doentes, porém não existe vacina específica para a doença.