Gaspar de Oliveira Vianna
(1885 - 1914)
Médico
brasileiro nascido em Belém do Pará, cujos estudos sobre
o ciclo do Trypanosoma cruzi e sua divisão intracelular se
tornaram clássicos. Fez o curso de medicina na Faculdade Nacional
de Medicina, do Rio de Janeiro (1903-1907). De uma inteligência brilhante,
ainda como estudante destacou-se por seu interesse pela histologia. Seus
conhecimentos sobre o assunto lhe valeram a primeira colocação
(1907), no concurso para preenchimento da vaga de assistente do Departamento
de Anatomia Patológica do Hospício Nacional de Alienados.
Sua tese de doutoramento versou sobre Estrutura da célula de
Schwann dos vertebrados, um trabalho de histologia comparada (1909).
Após a conclusão do curso médico ingressou na FioCruz
(1909), na equipe de Manguinhos como patologista, para assumir as pesquisas
em anatomia patológica, até então exercidas por Rocha
Lima. Convidado por Oswaldo Cruz, uma de suas primeiras tarefas
foi a de estudar a anatomia patológica da doença que Carlos
Chagas acabara de descobrir em Minas Gerais: a Tripanosomíase
americana. Da tripanosomíase passou à leishmaniose e
descreveu a Leishmania brasiliensis como espécie diferente
da Leishmania tropica, causadora do botão do Oriente (1911).
No ano seguinte (1912), o pesquisador incorporou o tártaro hermético
ou antimonial ao tratamento da leishmaniose, que até então
era empírico. Assim, descobriu que o tratamento da leishmaniose
pelo tártaro emético em solução a l% por via
venosa, era bem tolerada pelos pacientes. O medicamento foi sendo aperfeiçoado
até chegar ao antimônio pentavalente. Verificou ainda que
o tártaro emético tinha ação idêntica
no calazar e no granuloma venéreo. A mortalidade do
calazar, que era de 95%, caiu para 5%. Obteve o título de livre-docente
da cadeira de Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina do Rio
de Janeiro (1913) e, nesse mesmo ano, foi nomeado para reger interinamente
a cadeira de Histologia da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária
do Ministério da Agricultura. Infelizmente faleceu no Rio de Janeiro,
aos 29 anos, com apenas seis anos de exercício da Medicina, em conseqüência
de uma contaminação adquirida durante uma autópsia
que realizava em um cadáver de um tuberculoso, tornando-se, ao mesmo
tempo, mártir da ciência e benfeitor da humanidade.