Frei
Joaquim do Amor Divino Rebelo Caneca
(1779 - 1825)
Frade carmelita brasileiro nascido em Recife, PE,
considerado o ideólogo mais expressivo do movimento republicano
e separatista conhecido como Confederação do Equador,
que ocorreu em Pernambuco no começo do século XIX. Filho
de um tanoeiro português, daí o apelido Caneca, entrou
para o convento do Carmo, em Recife (1795). Após se ordenar (1799),
freqüentou a Academia Paraíso, centro liberal de estudos e
divulgação doutrinária, e participou do movimento
revolucionário pernambucano (1817), resultando em seu primeiro período
de prisão (1818-1821) na Bahia. Retornando a Pernambuco, dedicou-se
ao ensino, apoiou a luta pela independência e fundou o periódico
Tífis Pernambucano (1823) de oposição ao sistema
monárquico brasileiro. Condenou a outorga da constituição
(1824), apoiou a resistência à demissão de Manuel
de Carvalho Pais de Andrade, chefe da Junta Governativa Provincial,
estopim da revolução conhecida como Confederação
do Equador. As forças do movimento obtiveram apoios setoriais
na Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, mas não conseguiu
ampliação para o norte nem o apoio internacional. Com o fracasso
do movimento, o frade foi preso no Ceará, enviado ao Recife, julgado
por uma comissão militar e condenado à forca, porém
foi executado por fuzilamento. Seus escritos foram postumamente reunidos
por Antônio Joaquim de Melo e publicados em Recife, em Obras
políticas e literárias (1876-1877).