Francisco Luís da Silva Campos
(1891 - 1968)
  Advogado, educador e político de ideologia direitista brasileiro nascido em Dores do Indaiá, Estado de Minas Gerais, de posições claramente antiliberais e ligado aos movimentos revolucionários de direita no Brasil, combateu firmemente, por exemplo, o movimento militar tenentista dos anos trinta contra o governo federal. De tradicional família mineira, era filho de Jacinto Álvares da SilvaCampos, juiz de Direito, e de Azejúlia de Sousa e Silva, foi alfabetizado em casa, por sua mãe, passou dois anos como interno no Instituto de Ciências e Letras de São Paulo e fez o curso secundário nas cidades de Sabará e Ouro Preto. Formado em advocacia pela Faculdade Livre de Direito de Belo Horizonte (1910-1914), estabeleceu-se como advogado em Belo Horizonte e em Pitangui, terra de sua família e tornou-se professor substituto concursado da cadeira de Direito Público Constitucional da Faculdade Livre de Direito de Belo Horizonte (1918). Grande orador, logo iniciou sua carreira política elegendo-se deputado estadual em Minas Gerais pelo Partido Republicano Mineiro (1919) e chegou à Câmara Federal (1921), reelegendo-se na legislatura seguinte (1924). No governo de Antônio Carlos, em Minas Gerais, assumiu a Secretaria do Interior (1926), onde se destacou pelo defender movimento da Escola Nova, promoveu uma profunda reforma educacional em seu estado. Defendeu (1929) a candidatura do governador mineiro Antônio Carlos, contra a preferência do presidente da República Washington Luís e participou ativamente das articulações que resultou na candidatura oposicionista de Getúlio Vargas pela Aliança Liberal. Com a derrota de Vargas (1930), participou do movimento armado que pôs fim à República Velha e instalou um novo regime político no Brasil. Assumiu a direção do recém-criado Ministério da Educação e Saúde Pública, e promoveu uma histórica reforma do ensino secundário e universitário no país (1931-1932). Historicamente sua gestão ficou marcada pela organização do ensino secundário brasileiro, através do Decreto 19.850 (1931), promovendo reformas educacionais em vários estados brasileiros. Essas novas reformas contribuíam para a valorização e para o aumento do número dos serviços de Psicologia na Educação. Contudo, os debates entre católicos e os defensores da Escola Nova agravaram-se, pois o citado decreto integrava o ensino religioso ao currículo das escolas públicas primárias, secundárias e normais. Depois de deixar o ministério (1932) e perder as eleições para uma cadeira na Assembléia Nacional Constituinte por Minas Gerais (1932), mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi nomeado consultor-geral da República (1933). Nomeado secretário de Educação do Distrito Federal (1935), passou a demonstrar suas convicções antiliberais, defendendo explicitamente a ditadura como o regime político, inclusive promovendo a demolição a Universidade do Distrito Federal, foco intelectual dos movimento esquerdistas brasileiros. Assim tornou-se um dos pilares da instalação da ditadura do Estado Novo (1937), sendo nomeado ministro da Justiça por Vargas, coma missão específica de elaborar a nova Constituição, de forte caráter fascista. Durante a Segunda Guerra Mundial, deixou o ministério (1943) e foi nomeado representante brasileiro na Comissão Jurídica Interamericana, cargo em que permaneceu por mais de 12 anos. Renegando a radicalização do passado, passou a defender a redemocratização do país e participou das articulações empreendidas nos meios políticos e militares que culminaram com a deposição de Vargas e o conseqüente fim do Estado Novo. Porém participou ativamente do golpe militar contra o presidente João Goulart (1964) e da montagem institucional do regime de exceção então instalado no poder, participando da elaboração dos famigerados Atos Institucionais AI-1 e AI-2 e da elaboração da nova Constituição (1967) e morreu em Belo Horizonte.

Figura copiada de página do sítio do MEC:
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