Francisco Adolfo de Varnhagen, barão e visconde de Porto Seguro
(1816 - 1878)
Diplomata e historiador brasileiro nascido em São João do Ipanema, município de Sorocaba, interior do Estado de São Paulo, que escreveu sobre história geral do Brasil, do descobrimento até o império independente, amplamente documentada com material de arquivos do Brasil, Portugal, Espanha e Holanda, tornando-se um dos mais ativos pioneiros de estudos históricos de que se tem ciência no Brasil. De uma família abastada, era filho de Frederico Luís Guilherme de Varnhagen e de Maria Flávia de Sá Magalhães, estudou no Real Colégio da Luz em Lisboa (1825-1832) onde sua educação básica com distinção o curso no Real Colégio da Luz de Lisboa e ingressou no Colégio Militar de Lisboa (1832) e, no ano seguinte, integrou-se como voluntário nas tropas de D. Pedro IV de Portugal, na luta do ex-imperador do Brasil contra D. Miguel. Graduado como tenente de artilharia do exército português, aperfeiçoou-se em assuntos de natureza militar e de engenharia e, ainda militar, iniciou sua carreira de historiador. Colaborou em O Panorama, dirigido pelo grande historiador português Alexandre Herculano, e publicou no impresso Notícia do Brasil (1835-1838). Descobriu o túmulo de Pedro Álvares Cabral no convento da Graça, em Santarém (1838) e publicou Reflexões críticas sobre o escrito do século XVI, impresso no Notícia do Brasil (1835-1838). Divulgou, fruto das primeiras notáveis pesquisas sobre a época do descobrimento do Brasil, o Diário de Navegação de Pero Lopes de Sousa e, licenciado do exército português, tornou-se sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa e concluiu os estudos na Real Academia de Fortificações (1839). Voltou para o Brasil (1840) e tomou posse como sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. No ano seguinte ingressou no serviço diplomático como adido de primeira classe à legação do Brasil em Lisboa e foi incumbido de pesquisar documentos sobre a História e a Legislação referentes ao Brasil. Integrou o Corpo de Engenheiros do exército imperial brasileiro (1841-1844), saindo transferido para Madri. Regressou ao Brasil (1849) e dois anos depois foi eleito primeiro secretário do Instituto Histórico e Geográfico. Voltou à carreira de diplomática (1854) nomeado ministro residente no Paraguai (1858) e exerceu seguidamente uma série de missões diplomáticas em vários países da América do Sul. Como historiador, representou o Brasil em encontros por países da América latina e Europa, como em Viena (1868) e no Congresso Estatístico de São Petersburgo (1872). Agraciado pelo governo imperial com os títulos de barão e visconde de Porto Seguro (1874), como pesquisador realizou seus últimos trabalhos percorrendo (1877) o interior das províncias de São Paulo, Goiás e Bahia. Idealizou a interiorização da capital do Brasil, ora em Imperatriz, ora em São João del Rei e, finalmente, em Goiás, e morreu em Viena, Áustria, aos 62 anos.  É o patrono da Cadeira nº 39 da Academia Brasileira de Letras e em sua obra destacaram-se publicações como Examen de quelques points de l'histoire géographique du Brésil (1858), Véspuce et son premier voyage (1858), Caramuru (1859), romance histórico brasileiro em versos, e História das lutas com os holandeses no Brasil, desde 1624 a 1654 (1871).