Florestan Fernandes
(1920 - 1995)
  Sociólogo e político brasileiro nascido na cidade de São Paulo, capital do Estado de São Paulo, considerado o fundador da sociologia crítica no Brasil. De família muito humilde do Brás, era filho de Dona Maria Fernandes, uma imigrante portuguesa e analfabeta, que trabalhava como lavadeira. Com o apoio da patroa de sua mãe, iniciou sua formação primária no Grupo Escolar Maria José, em Bela Vista, São Paulo (1926), mas devido às necessidades de sua família, aos nove anos de idade, parou de estudar no terceiro ano do curso primário e começou a trabalhar. Desempenhou vários ofícios como engraxate, auxiliar de marceneiro, auxiliar de barbeiro, alfaiate e balconista de bar. Somente aos dezessete anos voltou às salas de aula. Fez o Tiro de Guerra (1936) e o Curso Madureza no Ginásio Riachuelo em São João da Boa Vista, São Paulo (1938-1940). Era vendedor de produtos farmacêuticos quando ingressou na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, onde se licenciou (1943), ano em que escreveu seu primeiro artigo para o jornal O Estado de São Paulo, intitulado O Negro na Tradição Oral. Casou-se (1944) com Myriam Rodrigues Fernandes, com quem teve seis filhos, e tornou-se assistente do Professor Fernando de Azevedo na cadeira de Sociologia II (1944). Sob orientação do próprio Professor Fernando de Azevedo, obteve o título de Mestre em Ciências Sociais, em Antropologia (1951), com uma dissertação A organização social dos Tupinambá (1947) e defendeu seu doutorado em Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP, também sob orientação do mesmo professor, com a tese A função social da guerra na sociedade Tupinambá. Passou a Livre Docente, na Cadeira de Sociologia I, na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP (1953) e tornou-se Professor Titular da mesma cadeira, com a tese A Integração do Negro na Sociedade de Classes (1964). Defensor da Escola Pública, sempre foi ligado aos movimentos sociais e reivindicatórios e às organizações políticas de esquerda. Preso político no presídio do Exército em São Paulo (1964), ao ser libertado tornou-se Professor Catedrático na USP, efetivado por concurso de Títulos e provas (1965). Novamente preso (1965), foi solto no ano seguinte através de um Habeas Corpus. Afastado de suas atividades na USP através do Ato Institucional nº 5 da Ditadura Militar (1969), passou a viver asilado no Canadá (1969-1970). Professor de Sociologia como Residente Latino Americano na Universidade (1970-1972), voltou ao Brasil (1972) passando a trabalhar como professor de cursos de Extensão Cultural no Instituto Sedes Sapientiae em São Paulo. Foi professor visitante da Universidade de Yale (1977) até ser contratado como Professor da PUC-SP, no final daquele ano (1977), na qual tornou-se Professor Titular (1978). Elegeu-se Deputado Federal Constituinte (1986) pelo Partido dos Trabalhadores (1987-1990), onde se destacou na defesa da Escola Pública e no projeto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Ainda foi reeleito Deputado Federal (1990), também pelo Partido dos Trabalhadores (1991-1994). Faleceu no dia 10 de agosto, em São Paulo, seis dias após um mal sucedido transplante de fígado,  vítima de embolia gasosa maciça. Autor de uma extensa e diversificada obra, além dos trabalhos de qualificação acadêmica, também se destacaram a tradução e a introdução do livro Contribuição à Crítica da Economia Política de Karl Marx (1946) e Método de Interpretação Funcionalista na Sociologia (1953), Mudanças Sociais no Brasil (1960), Fundamentos Empíricos da Explicação Sociológicas (1959), Folclore e Mudança Social na Cidade de São Paulo (1961), A Integração do Negro na sociedade de classes (1964), Sociedade de Classes e subdesenvolvimento (1968) e A Revolução Burguesa no Brasil (1975).

Foto copiada do site do IPP FLORESTAN FERNANDES:
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