Fernando
de Azevedo
(1894 - 1974)
Educador,
crítico, ensaísta e sociólogo brasileiro nascido em
São Gonçalo de Sapucaí,
Estado de Minas Gerais, um dos responsáveis pela reforma
do ensino no país, liderando a mais importante reforma de ensino,
uma das mais radicais da história da educação no país,
na então capital da República, no Distrito Federal (1927-1930).
Filho de Francisco Eugênio de Azevedo e de Sara Lemos Almeida
de Azevedo, cursou o ginasial no Colégio Anchieta, em Nova Friburgo
e inicialmente um seminarista, durante cinco anos fez cursos especiais
de letras clássicas, língua e literatura grega e latina,
de poética e retórica. Formou-se em Ciências Jurídicas
e Sociais pela Faculdade de Direito de São Paulo e abraçou
o magistério. Inicialmente lecionou psicologia e latim no Ginásio
do Estado, em Belo Horizonte (1914-1917) e de latim e literatura na Escola
Normal de São Paulo, hoje Instituto de Educação. Foi
redator e crítico literário de O Estado de São Paulo
(1923-26), jornal em que organizou e chegou a dirigir (1926). Ao longo
dos anos seguintes, tornou-se um dos expoentes do movimento da Escola
Nova e participou intensamente do processo de formação
da Universidade brasileira. Exerceu os cargos de Diretor Geral da Instrução
Pública do Distrito Federal (1926-1930), período em que projetou,
defendeu e realizou uma brilhante reforma de ensino, considerada a mais
importante de todas, a partir de experiências feitas no Ceará
(1923) e Rio de Janeiro (1926). Organizou e dirigiu por mais de 15 anos,
duas importantes iniciativas editoriais: a Biblioteca Pedagógica
Brasileira, na Companhia Editora Nacional, e a célebre coleção
Brasiliana,
ambas lançadas no início da década seguinte (1931),
além da série Iniciação Científica.
Voltou para São Paulo como professor de sociologia educacional no
Instituto de Educação da Universidade de São Paulo
e foi indicado Diretor Geral da Instrução Pública
do Estado de São Paulo (1933) e promoveu importantes reformas, consubstanciadas
no Código de Educação. Fez crítica literária
na imprensa de São Paulo e participou da fundação
da universidade estadual (1934), em cuja Faculdade de Filosofia, Ciências
e Letras ocupou a cadeira de sociologia. Também lecionou sociologia
educacional no Instituto de Educação e na Faculdade de Filosofia
de São Paulo (1938-1941), antes de dirigir a Faculdade de Filosofia,
Ciências e Letras (1941-1943). Voltando à vida pública,
respondendo pela Secretaria de Educação do Estado de São
Paulo e dirigiu o Centro Regional de Pesquisas Educacionais, também
em São Paulo (1942). Foi nomeado Secretário da Educação
e Saúde do Estado de São Paulo (1947) e fundou (1951) e dirigiu
por mais de 15 anos, na Companhia Editora Nacional a Biblioteca Pedagógica
Brasileira. Foi Diretor do Centro Regional de Pesquisas Educacionais, que
ele instalou e organizou (1956-1961), deixando o cargo para assumir a Secretaria
de Educação e Cultura no governo do prefeito Prestes Maia
(1961). Em sua obra destacaram-se Da educação física
(1920), Princípios de sociologia (1931), uma pioneira publicação
brasileira no assunto, Novos caminhos e novos fins (1934), o igualmente
pioneiro Sociologia educacional (1940), A cultura brasileira
(1943) e História da minha vida (1971), uma autobiografia.
Membro da Academia Brasileira de Letras, eleito em 10 de agosto (1967)
para a Cadeira n. 14, sucedendo a Carneiro Leão, e recebido
em 24 de setembro (1968), pelo acadêmico Cassiano Ricardo.
Catedrático do Departamento de Sociologia e Antropologia da Faculdade
de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo
e professor emérito da referida faculdade, faleceu em São
Paulo, capital do Estado de São Paulo, em 18 de setembro (1974).
Entre muitas honrarias recebeu prêmio Machado de Assis, da
Academia Brasileira de Letras (1943), a Cruz de Oficial de Legião
de Honra, da França (1947), o prêmio de educação
Visconde de Porto Seguro, da Fundação Visconde de
Porto Seguro, de São Paulo (1964) e o prêmio Moinho Santista
(1971) em Ciências Sociais.