Fernão
[ou
Fernando] de Magalhães
(1480 - 1521)
Navegador português nascido na região
portuguesa de Trás-os-Montes, descobridor do estreito que leva seu
nome, no extremo meridional da América do Sul, entre os oceanos
Atlântico e Pacífico, em cuja expedição realizou
a primeira viagem de circunavegação do globo, embora tenha
morrido antes de completar a façanha. De origem nobre, teve sua
primeira experiência quando participou da expedição
de Francisco de Almeida, primeiro vice-rei português do Extremo
Oriente, que se empenhava em conter o poderio muçulmano na África
e na Índia (1505). Esteve na costa de Moçambique (1506-1507),
na Índia (1508-1512), onde participou da tomada da cidade de Malaca
(1511), ponto estratégico para as ambições portuguesas
na Ásia. Voltou a Portugal (1512) e participou da tomada a cidade
Azamor, no Marrocos. Um ferimento de guerra deixou-lhe coxo (1514) e, diante
da negativa do rei Manuel I de Portugal em idenizá-lo, mudou-se
para a Espanha (1516). Em Sevilha (1517) ofereceu-se para trabalhar para
o rei Carlos I, futuro imperador Carlos V do Sacro Império
Romano-Germânico. Como o caminho pelo cabo da Boa Esperança
estava dentro do domínio português, segundo o Tratado de Tordesilhas,
propôs ao rei decobrir uma passagem que ligasse os oceanos Atlântico
e Pacífico, através da América, permitindo alcançar
às ilhas Molucas, no Pacífico sul, ricas em especiarias.
A proposta foi aceita e a expedição começou a se preparar
no porto de Sevilha (1518). A missão partiu de Sanlúcar de
Barrameda (1519) com cinco naus da coroa espanhola: Trinidad, nau
capitânia de Magalhães, San Antonio, Concepción,
Santiago e Victoria e 270 homens. Antes de atingir o cabo
Vírgenes, no sul do continente, e entrar naquele que seria conhecido
como estreito de Magalhães (1520), por duas vezes pensaram ter encontrado
essa passagem quando penetraram na baía de Guanabara, no Rio de
Janeiro (1519) e no estuário do Prata (1520). Conta-se que nesta
ocasião houve um motim, que o navegador sufocou sem piedade, executando
o capitão de um navio e deixando outro em terra, abandonado à
própria sorte. Em outubro do mesmo ano, a expedição
deu a volta ao cabo Vírgenes, no sul do continente, e entrou por
fim naquele que logo seria conhecido como estreito de Magalhães.
Com a tripulação sofrendo de escorbuto, sem água potável
e se alimentando de bolachas, iniciou-se a grande travessia do Pacífico.
Após cerca de 100 dias de travessia alcançaram, já
em janeiro do ano seguinte, o arquipélago de Tuamotu, e dois meses
após, Guam, uma das ilhas Marianas, onde se reabasteceram. Depois
seguiram para as futuras Filipinas, onde dois meses depois, em 27 de abril,
na ilha de Mactan, o navegador foi morto numa luta com os nativos. A viagem,
porém, não foi interrompida e a expedição prosseguiu
sob o comando de Juan Sebastián Elcano. Com apenas uma única
nau remanescente, a Victoria, e 17 homens dos 270 iniciais, a
expedição, ou que restou dela, chegou ao porto espanhol de
Sevilha (1522), depois de completar a volta ao globo, passando pelo sul
da África, demonstrando, na prática, a esfericidade da Terra.