Evaristo Ferreira da Veiga e Barros
(1799 - 1837)
Jornalista,
poeta e político brasileiro nascido no Rio de Janeiro, autor da
letra do hino da independência (1822) com o título de Hino
constitucional brasiliense. Estudou no Seminário de São
José, que deixou para trabalhar na livraria do pai, e mais tarde
montou a própria livraria. Era o segundo dos três filhos do
casal luso-brasileiro, um professor régio de primeiras letras na
freguesia de São Francisco Xavier do Engenho Velho, o português
Francisco
Luís Saturnino Veiga, que chegara ao Brasil aos 13 anos e foi
soldado miliciano na paróquia de Santa Rita, no Rio de Janeiro,
comerciante de livros e pesquisador, e de sua esposa, a brasileira
D.
Francisca
Xavier de Barros. Teve grande influência do pai e destacou-se
como estudante no Rio de Janeiro. Aprendeu francês, latim, inglês,
cursou aulas de retórica e poética e estudou filosofia e
adquiriu interesse por jornalismo ao visitar as oficinas da Impressão
Régia, nos porões do palácio do conde da Barca.
Sem condições de partir para a Universidade de Coimbra, cobriu
seu interesse de aprender, lendo em primeira mão os livros que seu
pai trazia da Europa para comercializar na livraria. Projetou-se na vida
nacional com sua participação no jornal bissemanal Aurora
Fluminense, lançado ainda na época de D. Pedro
I (1827), no qual chegou a ser redator único. A publicação,
prestigiada pela seriedade, tratava de temas essencialmente políticos,
como a defesa da liberdade constitucional, do sistema representativo e
da liberdade de imprensa, além das críticas ao autoritarismo
de D. Pedro I, mas mantendo uma posição de
equilíbrio durante as crises que precederam a abdicação
do imperador. Elegeu-se (1830) deputado por Minas Gerais, província
que embora defendesse por mais dois mandatos, só conheceria seis
anos depois (1836). Apesar da atividade política, não modificou
os hábitos, continuando livreiro, nem utilizando sua participação
na imprensa para promoções pessoais. Com a vitória
liberal, Evaristo da Veiga desenvolveu intensa atividade política
e apoiou a lei de junho (1831) que regularizou a situação
da regência. Destacou-se como um dos principais membros da Sociedade
Defensora da Liberdade e Independência Nacional, de grande influência
na época. Apoiou o governo de Feijó, onde se tornou,
consensualmente, chefe do Partido Moderado, os chimangos,
em oposição ao Restaurador, os caramurus. No auge
de sua divergência com os Andradas, foi vítima
de atentado (1832) cujo autor se disse contratado por um correligionário
de José Bonifácio. Concentrou seus esforços
na elaboração do ato adicional (1834) e viu vitoriosa sua
tese segundo a qual só à Câmara dos Deputados, e não
ao Senado, cabiam atribuições constituintes. Patrono da cadeira
nº 10 da Academia Brasileira de Letras, morreu no Rio de Janeiro RJ,
com apenas 37 anos de idade.