Epicuro
[ou Epikur] de Sámos
(341 - 270 a. C.)
Professor e filósofo grego, nascido na ilha
grega de Sámos, criador do epicurismo, a filosofia materialista
que celebrava o hedonismo e a paz, caracterizada na física pelo atomismo
e na moral pela identificação do bem soberano com o prazer,
o qual, concretamente, haveria de ser encontrado na prática da virtude
e na cultura do espírito, tornando-se uma das maiores escolas filosóficas
da época helenística e da filosofia grega em geral. Desde
muito jovem interessou-se pela filosofia, estudou com o filósofo
platônico Pânfilo, em Sámos, e com Nausífanes,
discípulo de Demócrito, em Teos. Após viajar
para Atenas (323 a. C.), estudou com Xenócrates, sucessor
de Platão na Academia. Após diversas viagens, ensinou
em Cólofon, Mitilene e em Lâmpsaco e amadureceu suas concepções
filosóficas. De volta a Atenas (306 a.C.), comprou uma propriedade
em um subúrbio da cidade, onde formou uma comunidade em que conviveu
com amigos e discípulos, entre os quais Metrodoro, Polieno
e a hetaira Temista, até o fim de seus dias. Fundou, assim
sua própria escola de filosofia baseada em seus ensinamentos. O
edifício de sua escola ficou conhecido como O Jardim, um
prédio com um horto. Nunca teve interesse científico e foi
um severo crítico da matemática. Escreveu mais de 300 volumes,
hoje perdidos, onde elaborou estudos sobre física, astronomia, meteorologia,
psicologia, teologia e ética, mas do que escreveu só se conhecem
três cartas e uma coleção de sentenças morais
e aforismos, Cartas e Máxima. Teve muitos seguidores,
entre as quais se distinguiu o poeta Lucrécio, e sua filosofia
que tinha por objetivo atingir a ataraxia, estado que consiste em
conservar o espírito imperturbável diante das vicissitudes
da vida. O epicurismo foi a primeira filosofia grega difundida em Roma,
não apenas entre os humildes, mas também entre figuras importantes
como Pisão, Cássio, Pompônio Ático
e Lucrécio, foi condenado pela igreja nos séculos cristãos seguintes,
mas se manteve vivo até o princípio do século IV da
era cristã. Seus ensinamentos pregavam meios de buscar e viver uma
vida feliz. Com sua ética associada à natureza, cultivou
o individualismo e a descrença nas formas sociais, sobretudo daquelas
cultivadas anteriormente pele sociedade do Estado-Cidade.