Físico italiano nascido em Roma, que produziu a primeira reação
nuclear em cadeia (1942). Filho mais novo de um ferroviário, excepcionalmente
inteligente, entrou para a Escola Normal Superior (1918), em Pisa, e obteve
o grau de doutor na Universidade de Pisa (1922), defendendo uma tese sobre
o emprego dos raios X. A seguir, traído pelas pesquisas de Max
Born sobre física quântica e fenômenos atômicos,
foi estudar física teórica em Göttingen, na Alemanha.
De volta a Itália (1924), foi ensinar matemática na Universidade
de Florença, onde desenvolveu um trabalho de interesse fundamental
para a física teórica, uma teoria dando tratamento estatístico
à distribuição de energia nos diversos níveis
eletrônicos. Este trabalho lhe valeu o convite para ocupar a cátedra
de física teórica na Universidade de Roma (1926). Criou com
Paul
Dirac a teoria estatística (1927), que permitiu descrever e
determinar com precisão o comportamento dos sistemas de elétrons
sujeitos ao princípio da exclusão de Wolfgang Pauli,
dando uma interpretação estatística da mecânica
quântica. Foi eleito membro da Academia de Ciências da Itália
(1929), tornando-se seu mais jovem acadêmico. Na década seguinte,
trabalhando juntamente com seus discípulos Edoardo Amaldi,
Bruno Pontecorvo, Franco Rasetti e Emilio Segrè,
descobriu e estudou as propriedades dos nêutrons lentos. Apresentou
uma importante teoria nuclear sobre a produção das partículas
beta (1934) e ganhou o Prêmio Nobel de Física (1938) pelas
demonstrações da existência de novos elementos radioativos
produzidos por irradiação de nêutrons e pela descoberta
correlata de reações nucleares induzidas por nêutrons
lentos, concluindo que nêutrons e prótons são as mesmas
partículas fundamentais, em estados quânticos diferentes.
Demonstrou que todo bombardeio de uma substância por nêutrons
leva à ocorrência de transformações nucleares
(1936) bombardeando elementos químicos pesados com nêutrons,
produzindo elementos mais pesados que os existentes na natureza. Fugindo
com a família do fascismo de Mussolini, emigrou (1938) para
os Estados Unidos, indo trabalhar na Universidade de Chicago, onde coordenou
a construção da sua pilha atômica (1942), o
primeiro
reator nuclear, produzindo pela primeira vez, uma reação
nuclear em cadeia, que controlou por meio da absorção em
blocos de carvão empilhados, a pilha atômica, um dos
grandes marcos da era nuclear. Naturalizou-se norte-americano (1944) e
foi nomeado catedrático de física nuclear na Universidade
Colúmbia, em Nova York (1946), onde colaborou, a convite do governo
americano, no projeto Manhattan, que produziu a primeira bomba atômica.
Recebeu a Medalha de Mérito do Congresso e foi eleito membro
estrangeiro da Sociedade Real de Londres (1950). Foi o primeiro cientista
a ser agraciado com o prêmio concebido pela Comissão de Energia
Atômica dos Estados Unidos. Suas obras completas foram publicadas
pela Accademia Nazionale dei Lincei e pela University of Chicago Press
(1962). Morreu em Chicago (1954) e em sua homenagem foram designados o
férmio, elemento químico de número atômico
100, transurânico, artificial, descoberto após uma explosão
nuclear no Pacífico (1952), e a partícula subatômica
férmion.
Figura copiada da página
de THE Enrico Fermi Award
http://www.sc.doe.gov/sc-5/fermi/