Emilio El Índio Fernández
(1904 - 1986)
Brilhante
realizador do cinema mexicano nascido em Hondo, Coahuila, a mais famosa
figura da história do cinema mexicano, dando-lhe qualidade internacional,
e que inscreveu sua obra na corrente nacionalista do país. Filho
de mãe índia e pai espanhol, foi chamado, por sua ascendência,
o Índio, teve formação militar e fez parte
de uma insurreição (1923) contra o governo de Álvaro
Obregón. Preso, fugiu e refugiou-se nos Estados Unidos, primeiro
em Chicago e depois em Los Angeles, onde trabalhou em lavanderia, foi camareiro,
estivador e ajudante de imprensa. Finalmente, trabalhando
em construções nas cercanias dos estúdios de Hollywood, conseguiu
bicos nas filmagens como extra, dublê de estrelas e pequenos papéis
como ator em produções de Hollywood. Anistiado (1933) voltou
ao México onde continuou no cinema, mas manteve sua personalidade
rebelde e inconformista. Atuou em vários filmes e foi roteirista
e assistente de direção em outros, até iniciar
a carreira de diretor com La isla de la pasión (1941). Consagrou-se
como o mais autêntico representante do cinema mexicano daquela década,
especialmente com Flor silvestre (1943) e o premiado María
Candelaria (1943), Palma de Ouro no Festival de Cannes, obras clássicas
com a excelente fotografia de Gabriel Figueroa, seu cinegrafista
por muitos anos, além de outros filmes como Las abandonadas
(1944) e La perla (1946). Porém na década seguinte
seu prestígio entrou em franco declínio e praticamente seu
único filme que despertou algum interesse foi La red (1953)
e morreu na Cidade do México. Dirigiu mais de 40 filmes e participou
como ator em mais de 80. Seu último filme com diretor foi Erótica
(1979) e como ator foi Los Amantes del señor de la noche
(1986). No capítulo dedicado ao grande diretor mexicano no livro Le
cinéma mexicain (1992), Julia Tuñon escreveu que
o cineasta exprimiu com precisão as aspirações cinematográficas
de seu tempo, entre elas a de conferir ao cinema um tom artístico.