Garcilaso de la Vega, El Inca
(1539 - 1616)
  Escritor e historiador peruano mestiço e cronista inca nascido em Cuzco, antiga capital do império inca, que como soldado e homem de letras, reuniu em suas crônicas um valioso acervo sobre costumes e tradições pré-colombianas e hoje é considerado como o pai das letras do continente. Filho do conquistador e cavaleiro espanhol Sebastián Garcilaso de la Vega e da princesa inca Isabel Chimpu Ocllo, filha do imperador Huallpa-Túpac, educou-se entre referências culturais das tradições inca e espanhola. Aos vinte um anos mudou-se para a España, onde seguiu a carreira militar. Serviu o exército espanhol em meados do século XVI, chegando ao posto de capitão, participou da repressão dos mouriscos de Granada, e depois combateu também na Itália, onde conheceu o filósofo neoplatônico León Hebreo. Freqüentou os círculos humanísticos de Sevilla, Montilla e Córdoba e voltou-se para o estudo da história e à leitura dos poetas clássicos e renascentistas. Sua primeira obra foi uma tradução para o espanhol dos Diálogos de amor (1588) de Leão Hebreu, publicada em Madrid. Desiludido com  o preconceito dentro do exército contra sua condição de mestiço, depôs as armas e entrou para a igreja. Recebeu as ordens menores (1597) e, ao mesmo tempo, passou a se dedicar com mais afinco a sua carreira literária. No entanto foram suas obras históricas que lhe angariaram prestígio. Seguindo as correntes humanistas em voga, iniciou um ambicioso e original projeto historiográfico centrado no passado americano e, especialmente, no passado peruano. Publicou em Lisboa (1605) sua Historia de la Florida y jornada que a ella hizo el governador Hernando de Soto, conhecida como La Florida del Inca. Nessa obra, destaca-se a defesa do catolicismo e da universalidade. Depois publicou em Lisboa Comentarios reales (1609), a primeira parte de uma valiosa importância para a história do Peru, em virtude de tratar da reconstrução idealizada da vida do império inca antes dos espanhóis. Uma segunda parte da obra, História geral do Peru (1617), foi publicada depois da morte do autor, em Córdoba, Espanha. Ambas as publicações são consideradas seus títulos mais célebres.

Figura copiada da página EL INCA / ICARITO:
http://icarito.latercera.cl/especiales/dialibro/garcilaso.htm