Djanira
da Mota e Silva
(1914 - 1979)
Pintora
brasileira nascida em Avaré, no interior do Estado de São
Paulo, que fez sucesso com representações de cenas a costumes
autenticamente brasileiros, simplificada ao extremo. Descendente de austríacos
e de índios guarani, ainda criança de tenra idade mudou-se
com seus pais para Porto União, em Santa Catarina, onde cresceu
levando uma vida humilde. Voltou para Avaré (1928), onde viveu e
trabalhou duramente entre os cafezais da região. Ficou tuberculose
e curou-se no Sanatório Dória, em Campos do Jordão
(1935), período em que realizou o seu primeiro desenho. Mudou-se
para o Rio de Janeiro, onde foi costureira e depois instalou, em Santa
Teresa, a Pensão Mauá, que se tornou ponto de encontro
de artistas e intelectuais e fez amizade com artistas plásticos.
Autodidata e primitiva, começou a pintar já adulta ( ~ 1940)
e recebeu lições de Milton Dacosta, Pierre Chabloz
e Emeric Marcier, um de seus pensionistas, e também cursou
o Liceu de Artes e Ofícios. Convidada por Emeric Marcier,
estagiou em seu atelier durante cinco meses e começou a expor no
ano seguinte (1942), quando participou pela primeira vez do Salão
Nacional de Belas Artes. Seguiu-se uma série constante de exposições
pelo país e de premiações em importantes eventos,
além da participação com êxito de várias
mostras internacionais, a exemplo de Nova York, Paris e mais tarde à
Rússia. Morou em Nova York, EUA (1945-1947) onde conheceu pintores
da importância de Fernand Léger, Joan Miró
e Marc Chagall e foi influenciada, entre outros, pela pintura do
mestre do renascimento holandês Pieter Brueghel (1564-1638).
De volta ao Brasil, percorreu o Planalto Central e o norte e documentou
usos e costumes populares. Integrou importantes mostras coletivas no Brasil
e no exterior, e participou da Bienal de Salão de São Paulo
(1953). Em sua carreira como pintora, em uma primeira fase enfocou a vida
carioca e os costumes norte-americanos, influência de sua passagem
pelos Estados Unidos. Nesse período, utilizava cores misturadas
e figuras em movimento. Depois de fazer várias viagens pelo interior
do Brasil, principalmente ao Maranhão e à Bahia, onde conheceu
os mais variados costumes e movimentos folclóricos, suas cores tornaram-se
mais claras e brilhantes. Seu colorido, desenho e composição tornaram
mais enriquecidos ao mesmo tempo em que evoluía sua despojada
técnica. Viveu algum tempo com os índios Canela e depois
entrou para a Ordem Terceira do Carmo (1964), adotando o nome de Irmã
Teresa do Amor Divino, onde dedicou-se também à arte
sacra. Consagrada pela visão muito peculiar da criação
plástica, faleceu em um convento da cidade do Rio de Janeiro, deixando
uma obra original com temas como lavradoras em atividade no campo, fachadas
e figuras do povo, paisagens no interior, brincadeiras de crianças,
celebração de anjos e orixás etc. Em uma de suas obras
mais grandiosas, concebeu o Painel Santa Bárbara (1964) que
se encontra instalado no Museu Nacional das Belas Artes-MNBA no Rio de
Janeiro, originalmente formado por 5300 azulejos ocupando uma área
de 130 metros quadrados, construído em homenagem aos 18 operários
que faleceram num desabamento durante os trabalhos de abertura do Túnel
Santa Bárbara, que liga o bairro do Catumbi ao das Laranjeiras,
na cidade do Rio de Janeiro. Foi a primeira artista latino-americana a
ter obras no Museu do Vaticano, ao qual ofereceu a tela Santana de Pé.