Décimo Júnio Juvenal ou Decimus Junius Juvenalis
(55 - 127)
  Poeta satírico romano nascido em Aquino, Apúlia (55-60), que deixou em seus poemas uma imagem crítica e mordaz da sociedade romana do século I e que permaneceu admirável ao longo dos séculos. Embora poucos dados sejam conhecidos sobre sua vida, acredita-se que procedia de uma família abastada e obteve formação militar. Ressentido por não obter um posto administrativo a serviço do imperador Domiciano, revelou-se de letras ao escrever uma sátira contra a parcialidade e o favoritismo da corte imperial. O castigo foi imediato e foi desterrado para a cidade egípcia de Siene, hoje Assuã, além do confisco de suas propriedades. Depois da morte de Domiciano (96) pôde regressar a Roma, e sob a proteção de homens poderosos ficou na cidade eterna até sua morte, em Roma (125-140). Artífice do mesmo gênero que consagrou Horácio, embora este evitasse em suas sátiras o aspecto político, é evidente a influência de Horácio e Lucílio na maior parte dos temas que desenvolveu. Porém, em contrapartida, enfrentou os perigos de delação e os processos de lesa-majestade do regime imperial, efeitos que Horácio e Lucílio como satiristas igualmente recearam. Sua obra conhecida constou de 16 poemas satíricos em verso hexâmetro, a forma característica da lírica latina, repartidos em cinco livros, com versos que evocam os tempos antigos, apelam para o sentimento patriótico e atacam, com indignação, a decadência e corrupção a que haviam chegado a sociedade e a vida romanas. Imperadores, nobres, estrangeiros, homossexuais e mulheres, cujos vícios e costumes dissolutos foram tema de sua sátira mais famosa e seus principais personagens, que critica acidamente a conduta de seus contemporâneos. Suas críticas tinham por motivo vícios e defeitos e os indivíduos que destes se tornavam culpados, críticas de caráter moral ou social, abordando motivos típicos da sátira como o luxo dos jantares, a relação entre pobres e ricos, a relação entre os homens e os deuses, problemas de educação etc. Sua obra caiu no esquecimento após sua morte, mas foi notavelmente revalorizada a partir três séculos depois e inspirou grandes escritores posteriores, desde o italiano Giovanni Boccaccio até os britânicos Jonathan Swift e Samuel Johnson.

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