Poeta satírico romano nascido em Aquino, Apúlia (55-60),
que deixou em seus poemas uma imagem crítica e mordaz da sociedade
romana do século I e que permaneceu admirável ao longo dos
séculos. Embora poucos dados sejam conhecidos sobre sua vida, acredita-se
que procedia de uma família abastada e obteve formação
militar. Ressentido por não obter um posto administrativo a serviço
do imperador Domiciano, revelou-se de letras ao escrever uma sátira
contra a parcialidade e o favoritismo da corte imperial. O castigo foi
imediato e foi desterrado para a cidade egípcia de Siene, hoje Assuã,
além do confisco de suas propriedades. Depois da morte de Domiciano
(96) pôde regressar a Roma, e sob a proteção de homens
poderosos ficou na cidade eterna até sua morte, em Roma (125-140).
Artífice do mesmo gênero que consagrou Horácio,
embora este evitasse em suas sátiras o aspecto político,
é evidente a influência de Horácio e Lucílio
na maior parte dos temas que desenvolveu. Porém, em contrapartida,
enfrentou os perigos de delação e os processos de lesa-majestade
do regime imperial, efeitos que Horácio e Lucílio
como satiristas igualmente recearam. Sua obra conhecida constou de
16 poemas satíricos em verso hexâmetro, a forma característica
da lírica latina, repartidos em cinco livros, com versos que evocam
os tempos antigos, apelam para o sentimento patriótico e atacam,
com indignação, a decadência e corrupção
a que haviam chegado a sociedade e a vida romanas. Imperadores, nobres,
estrangeiros, homossexuais e mulheres, cujos vícios e costumes dissolutos
foram tema de sua sátira mais famosa e seus principais personagens,
que critica acidamente a conduta de seus contemporâneos. Suas críticas
tinham por motivo vícios e defeitos e os indivíduos que destes
se tornavam culpados, críticas de caráter moral ou social,
abordando motivos típicos da sátira como o luxo dos jantares,
a relação entre pobres e ricos, a relação entre
os homens e os deuses, problemas de educação etc. Sua obra
caiu no esquecimento após sua morte, mas foi notavelmente revalorizada
a partir três séculos depois e inspirou grandes escritores
posteriores, desde o italiano Giovanni Boccaccio até os britânicos
Jonathan Swift e Samuel Johnson.
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