Escritor, biógrafo, matemático, biólogo e essencialmente
filósofo das ciências gregas nascido em Estagira, de onde
ser dito o Estagirita, uma cidade da Macedônia, cerca de 320
quilômetros ao norte de Atenas, um dos filósofos e cientistas
mais famosos do mundo antigo, autor do mais antigo conjunto de trabalhos
científicos que resistiu fisicamente até nosso tempo e, também,
considerado o homem mais erudito de todos os tempos. Se com Platão
a filosofia já havia alcançado extraordinário nível
conceitual, pode-se afirmar que pelo rigor de sua metodologia, pela amplitude
dos campos em que atuou e por seu empenho em considerar todas as manifestações
do conhecimento humano como ramos de um mesmo tronco, foi o primeiro pesquisador
científico no sentido atual do termo. Filho de um médico
real e amigo de Amintas, rei macedônico e avô de Alexandre,
inicialmente praticou medicina em Estagira antes de ir para Atenas (367
a. C.), onde estudou filosofia durante vinte anos como discípulo
de Platão e, posteriormente, com Menaecmus e também
se tornou um professor na Academia. Com a morte do mestre Platão
(347
a. C.), instalou-se em Assos, na Eólida, na Ásia Menor, onde
seu amigo dele Hermias era o rei. Ele se casou com Fitias,
sobrinha e filha adotiva do rei e se tornou concelheiro deste. Depois que
Hermias
foi morto pelos persas (345 a. C.), mudou-se para Lesbos, até ser
chamado à Pella, na corte de Filipe II da Macedônia
para ser o tutor e se encarregar da educação de seu filho
(343 a. C.), que passaria à história como Alexandre,
o
Grande, quando este tinha treze anos de idade. Com Alexandre
voltou a Atenas (337 a. C.) e nos anos seguintes, dedicou-se ao ensino
e à elaboração da maior parte de suas obras. Infelizmente
perderam-se todos os seus originais, com exceção da Constituição
de Atenas, descoberta no fim do século XIX (1890). O que é
conhecido foi resultado de notas para cursos e conferências do filósofo,
ordenadas de início por alguns discípulos e depois, de forma
mais sistemática, por
Adronico de Rodes (c. 60 a.
C.). Foi o fundador, juntamente com Teofrasto e outros, do Liceu
Aristotélico (334 a. C.) ou Escola Peripatética de
Atenas, onde se ensinava a quase totalidade das ciências, notadamente
biologia e ciências naturais. Embora matemática não
fosse uma matéria prioritária de ensino no Liceu, promoveu
discussões sobre o infinito potencial e a atual aritmética
e geometria e escreveu
Sobre retas indivisíveis, onde questionava
a doutrina dos indivisíveis defendida por Xenócrates,
um sucessor de Platão na Academia. Tornou-se o criador das
doutrinas
do aristotelismo, publicadas em oito volumes com escritos sobre física,
matemática, biologia, metafísica, psicologia, política,
lógica e ética, uma volumosa obra especulativa e não
matemática por excelência. Propôs as qualidades elementares
- calor e umidade para o ar, calor e secura para o fogo, frio e umidade
para a água e frio e secura para a terra. Além deste tratado
escreveu centenas de trabalhos, talvez mais de mil, aparentemente primeiro
sobre lógica, incluindo Categorias, Tópicos,
Analítica,
Proposições,
etc., depois trabalhos científicos com Sobre a física,
Sobre
o céu, Sobre a alma, Meteorologia, História
natural, As partes dos animais, A geração dos
animais, etc, em terceiro sobre estética, especialmente Retórica
e Poética, e por último os estritamente filosóficos
como Ética, Política e Metafísica.
Elaborou os primeiros argumentos sobre a teoria ondulatória de propagação
da luz, que muito tempo depois prosseguiria com Da Vince e Galileu.
Com a morte repentina de Alexandre, tornou-se impopular em virtude
de sua ligação com conquistador morto e, tratado então
como estrangeiro, deixou Atenas fugindo para Calsis, onde morreu no ano
seguinte. No Liceu foi sucedido por Teofrasto.
Figura do alto copiada
do site TURNBULL WWW SERVER:
http://www-history.mcs.st-andrews.ac.uk/