Ambroise-Paul-Toussaint-Jules
Valéry
(1871 - 1945)
Poeta
francês nascido em Sète, um porto do Mediterrâneo, no
departamento do Hérault, que criou alguns poemas relacionados entre
os mais famosos da literatura francesa. Filho de pai corso e mãe
genovesa, ainda criança mudou-se com a família para Montpellier,
onde teve uma educação na tradição católica.
Estudou na faculdade de direito de Montpellier e foi morar em Paris (1893),
onde ficou até morrer. Passou a integrar o círculo de Stéphane
Mallarmé, de cuja obra, de certa forma, seria o grande continuador.
Admirador de Edgar Allan Poe, René Descartes e Leonardo
da Vinci, fez amizades com escritores como André Gide
e Pierre Louÿs. Sob a influência de Mallarmé
escreveu muitos versos (1888-1891) até que sofreu uma crise de ascetismo
(1892) que o levou a abandonar a poesia por alguns anos. Casou-se (1900)
com Jeannie Gobillard, uma amiga da família de Mallarmé
que também era uma sobrinha do pintor Berthe Morisot e desse
casamento nasceriam três crianças: Claude, Agathe,
e François. Na maior parte de sua vida trabalhando no serviço
público, na realidade ele só se dedicou integralmente a literatura
após quase 50 anos de idade, depois que seu patrão, o chefe-executivo
da Agence Havas, Edouard Lebey, do qual era secretário por
cerca de duas décadas, morreu vítima do mal de Parkinson
(1920). Eleito membro da Académie Française (1925),
tornou-se um orador público notável e figura intelectual
proeminente da sociedade francesa. Visitou vários países
da Europa e deu conferências em assuntos culturais e sociais, como
também assumiu várias posições oficiais do
governo da nação francesa. Representou a França em
assuntos culturais na Liga de Nações, servindo em vários
de seus comitês. Em sua obra foram marcantes Introduction à
la méthode de Léonard de Vinci (1895), Soirée
avec M. Teste (1896), La Jeune Parque (1917), poema que lhe
deu fama definitiva, Album des vers anciens (1920), Charmes ou
poèmes (1922), Variété (1924-1944), obra
em cinco volumes, Eupalinos ou L'architecte (1923) e L'Âme
et la danse (1923), Regards sur le monde actuel (1931), além
da publicação póstuma de seus 257 Cahiers com
aforismos e apontamentos vários (1957). Nome de primeira grandeza
na fase de transição literária do século XIX
para o século XX e membro de várias academias de outros países,
morreu em Paris, aos 73 anos, e foi enterrado no cemitério de sua
cidade natal, Sète.