Alfred Jarry
(1873 - 1907)
Teatrólogo e escritor francês nascido em Laval, Mayenne, de comportamento extremamente excêntrico e considerado um precursor dos escritores rebeldes e malditos do século XX. De uma família de comerciantes, formou-se no lycée de Laval e continuou seus estudos em Saint-Brieuc e depois em Rennes. Precoce, culto e criativo e excêntrico, aos 15 anos de idade escreveu Ubu-roi, uma peça anárquica e alheia a todas as regras que anteciparam o surrealismo, o teatro do absurdo e outros movimentos antiliterários surgidos durante o século XX, cujo personagem central era Père Ubu, um tipo ridículo e repulsivo que se tornara rei da Polônia e simbolizava a estupidez e avareza da burguesia, e inspirado nos trejeitos de um de seus professores. Aos 18 anos foi estudar em Paris, integrando-se aos meios literários e começou a publicar seus primeiros trabalhos. Investiu contra as posturas solenes e zombando das convenções sociais, marca de seu trabalho, montou Ubu-roi (1896) que estreou no Théâtre de l'Oeuvre, mas com uma reação da platéia muito negativa. Abordando o mesmo tema escreveu mais outros trabalhos, como Ubu cocu ou l'Archéoptéryx (1897), Ubu enchaîné (1900) e Ubu sur la Butte (1906), e publicou almanaques ilustrados sobre o personagem, com desenhos de sua autoria, como Almanach illustré du Père Ubu (1901) . Também escreveu poemas, diversos textos avulsos e livros de caráter experimental, como L'Amour absolu (1899) e Le Surmâle (1902). No póstumo Gestes et opinions du docteur Faustroll, pataphysicien (1898), introduziu a pataphysique, ou patafísica, sua lógica do absurdo. De vida desregrada, deixou-se finalmente consumir pelo álcool e morreu tuberculoso no Hôpital de la Charité, em Paris, com apenas 34 anos. Entre outros trabalhos seus também são lembrados Les Alcoolisés (1890), César Antéchrist (1895), L’Amour absolu (1899), Le 14 Juillet (1904), Le Moutardier du pape (1907) e outros póstumos.